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Mais informação, menos memória – Umberto Eco

Livre, pipe et verres (Book, Pipe and Glasses), 1915, Juan Gris

Livre, pipe et verres (Book, Pipe and Glasses), 1915, Juan Gris (Spanish Cubist Painter and Sculptor, 1887-1927), Oil on canvas, 72.9 x 91.4 cm, Private Collection

Você dispõe de toda a informação, mas não sabe qual é confiável e qual é equivocada. Essa velocidade vai provocar a perda de memória. E isso já acontece com as gerações jovens, que já não recordam nem quem foram Franco ou Mussolini! A abundância de informações sobre o presente não lhe permite refletir sobre o passado. Quando eu era criança, chegavam à livraria talvez três livros novos por mês; hoje chegam mil. E você já não sabe que livro importante foi publicado há seis meses. Isso também é uma perda de memória. A abundância de informações sobre o presente é uma perda, e não um ganho.

Esse é um de nossos problemas contemporâneos. A abundância de informação irrelevante, a dificuldade em selecioná-la e a perda de memória do passado — e não digo nem sequer da memória histórica. A memória é nossa identidade (…) diminuir muito a memória é diminuir muito a alma.

(Umberto Eco, escritor e filósofo italiano. Extraído de “O professor aloprado”, entrevista publicada no jornal espanhol El Pais e reproduzida pelo caderno Mais!, do jornal Folha de São Paulo, em 12/05/2008. Tradução de Clara Allain.  Aqui.)

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