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As amoras – Eugénio de Andrade

Largo de Camões (Lisboa), 1932, Abel Manta

Largo de Camões (Lisboa), 1932, Abel Manta (pintor português, 1888-1982), óleo sobre tela, 65,6 x 54 cm, Museu de Lisboa (Antigo “Museu da Cidade”), Lisboa, Portugal. Fotografia obitda aqui.

O meu país sabe as amoras bravas
no verão.
Ninguém ignora que não é grande,
nem inteligente, nem elegante o meu país,
mas tem esta voz doce
de quem acorda cedo para cantar nas silvas.
Raramente falei do meu país, talvez
nem goste dele, mas quando um amigo
me traz amoras bravas
os seus muros parecem-me brancos,
reparo que também no meu país o céu é azul.

(“As Amoras”. Eugénio de Andrade, pseudônimo de José Fontinhas, 1923-2005, poeta português. In: O Outro Nome da Terra. 1ª Edição. Porto: Editora Limiar, 1988)

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