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Quatro caminhos que aprendi com meu pai – Gilson Santos

Quatro caminhos que aprendi com meu pai – Gilson Santos

O meu pai sempre foi um homem pobre e simples. Ele e minha mãe tiveram quatro filhos, dentre os quais eu sou o mais velho – foram, de fato, cinco filhos, mas o segundo deles morreu bebê. Apesar de suas lutas, meu pai me ensinou quatro caminhos. Estes têm sido os quatro caminhos mais importantes da minha vida.Meu pai

1. Eu nasci num pequeno município ao norte do Estado do Rio de Janeiro. Nasci na única maternidade da cidade. Tão logo nasci, meu pai pegou a mim e à minha mãe, e me levou para casa. Nossa casa era no interior do município. Cresci num sítio. E desde então, eu tenho aprendido que o caminho mais importante é o caminho de casa. A família é a realidade mais fundamental ao ser humano. Como é vital conhecer e valorizar o caminho de casa. Continuo voltando por este caminho praticamente todos os dias de minha vida.

2. Depois de alguns dias em casa, meu pai me pegou, e junto com minha mãe, me levou à igreja. O pequeno templo da igreja ficava no sítio de nossa família, e fora ali edificado por meu bisavô e meu avô. Era uma pequena igreja evangélica batista, rural, situada na beira da estrada, numa encruzilhada. Eu passei os primeiros anos naquela igreja, debaixo dos bancos duros de madeira, que cheiravam ao óleo utilizado para limpá-los. Este tem sido o meu segundo caminho. Eu continuo andando por ele até hoje: o caminho da igreja. Ela tem sido vital em minha vida, e parte fundamental da minha formação e da minha família. Não sei o que seria de mim sem a realidade da igreja cristã em minha vida. No contexto dela conheci a Cristo e ao seu evangelho.

3. Quando eu completei sete anos, minha mãe fez para mim um embornal de tecido, e eu obtive um uniforme branco e azul da escola do Estado. Foi meu pai quem me levou à escola. A escola também ficava na mesma estrada, junto ao nosso sítio. Tinha apenas duas salas. A professora vinha no caminhão do leite, ou na kombi do padeiro. Meu paiCursei ali a primeira e segunda séries, e ainda hoje sou amigo de minha primeira professora. Aprendi o caminho da escola, e nunca mais o deixei. Acho que vou por ele até morrer. Continuo assentado nos bancos escolares, e dias atrás entreguei mais um TCC (Trabalho de Conclusão de Curso). Um caminho muito importante é o caminho da escola.

4. Quando eu estava com quatorze anos, o meu pai me levou a um pequeno estúdio fotográfico. O fotógrafo me colocou dentro de um paletó velho, afixou uma placa com data no meu peito, tirou-me uma foto 3×4, que utilizei em minha carteira de trabalho. Comecei a “trabalhar fora” aos quatorze anos, em uma loja de produtos odontológicos, embora já tivesse aprendido a trabalhar em casa. De fato, é mesmo em casa que a gente aprende a trabalhar, isto é, ao realizar tarefas adequadas à nossa idade e ao nosso estágio de desenvolvimento cognitivo e sensório-motor. Este caminho do trabalho tem sido o meu quarto caminho até hoje. É um bom caminho ensinado pelo Criador desde o princípio.

Estes foram os quatro caminhos fundamentais que meu pai me conduziu e me ensinou: da casa, da igreja, da escola e do trabalho. Ele esteve ao meu lado quando os percorri pela primeira vez. Meu paiEles têm sido os meus caminhos até hoje. Em sua simplicidade, em muitos aspectos intuitiva, ele me introduziu a essas quatro instituições.

Estes têm sido também os caminhos de minha esposa. E temos tentado ensiná-los às nossas duas filhas. Não sei se temos conseguido, mas com certeza nos empenhamos muito para isto. Estes caminhos devem ser ensinados aos filhos por meio do exemplo, preceito teórico e exercício prático. Nosso trabalho consiste em encaminhar os filhos para a dependência cada vez maior de Deus, e para uma posição menos dependente em relação a nós mesmos.

Quando pensamos e oramos por genros, o que pedimos a Deus foi que, antes de tudo, fossem eles homens que também valorizassem esses quatros caminhos: da família, do temor e do serviço a Deus, dos estudos e do trabalho. Estes são valores importantes para nós. E assim, cremos que o mesmo Deus que tem cuidado de nós, e nos sustentado ao longo de nossas vidas, também pode cuidar de nossas filhas e de suas respectivas famílias. Enfim, certamente há ainda outras coisas que desejamos para os nossos descendentes. Porém, as expectativas que mais acalentamos é que eles valorizem os caminhos da família, do temor e serviço a Deus, do saber e do trabalho. Na realidade, o objetivo é que os filhos desde cedo incorporem os valores básicos afirmados pela simbologia das quatro instituições: servir a Deus, amar o lar, estudar e trabalhar.

(Texto lido por ocasião do noivado de nossa primeira filha, em Ponta Grossa, PR: em 07/12/2015. Atualizado e publicado aqui por ocasião dos 77 anos de meu pai, José Carlos dos Santos, que vive em Campos dos Goitacazes, RJ: em 26/10/2018)

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