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A Depressão de Spurgeon – Zack Eswine

A Depressão de Spurgeon, Zack Eswine, Editora FielAlguém no meio cristão evangélico colocaria em questão a importância do pensamento de Spurgeon? Há alguém que ignore que ele é considerado um “campeão da fé”, do púlpito, do ministério pastoral e da controvérsia evangélico-reformada? O que uma pessoa assim teria a comunicar sobre a depressão? Neste livro, Zack Eswine trabalha principalmente com a sermonística de Spurgeon. Percebe-se que, em rigor, o que o autor pretende é solicitar que o próprio Spurgeon ofereça a sua ajuda pastoral àqueles que sofrem de depressão. Pensar que um homem como Spurgeon lidou com este assunto, tanto na experiência pessoal quanto no púlpito, pode ser de imensa relevância hoje em dia e, talvez, surpreendente para muitos.

[…] Representante da clássica poimênica puritana, Spurgeon alinhava-se à tradição de muitos pregadores e escritores em seu entendimento sobre as depressões e senso de “deserção espiritual”, os quais utilizavam-se das experiências de Jó (13, 16, 19, 31), Asafe (Sl 77) e Hemã (Sl 88), bem como outros exemplos escriturísticos, a fim de exemplificá-las. De um modo geral, essa tradição sustentava três contextos ou categorias para as depressões. O leitor deve atentar para o fato de que Eswine propõe igualmente uma tríplice categorização na primeira unidade deste livro, e isso deve ser tomado em contexto especialmente na leitura do capítulo oito, “Jesus e a Depressão”. Assim, por um lado, algo muito importante na abordagem de Spurgeon é que ela não reduz a depressão a uma questão de medicina.

[…] Por fim, é muito significativo que Spurgeon, igualmente alinhado na mesma tradição puritana, haja tratado ampla e regularmente deste tema em sua pregação. Neste tempo em que os mais maduros expositores bíblicos acautelam-se, com razão, de uma sermonística degenerada em discursos de autoajuda, é igualmente vital resgatar o entendimento de que os sofrimentos e problemas no cotidiano das pessoas não podem ser negligenciados pelo cuidado pastoral de um modo mais amplo e pelo púlpito em particular.

[…] O livro que o leitor tem em mãos pode contribuir para uma pastoral reformada no contexto do sofrimento. Zack Eswine encontra em Spurgeon grande encorajamento para o problema que também conhece por experiência pessoal. A sua intenção é que “as aflições de Spurgeon” ofereçam “esperança realista para aqueles que sofrem de depressão”. E o autor sublinha que “a esperança realista é algo saturado de Jesus”. O profeta Isaías apresenta Cristo como “homem de dores e que sabe o que é padecer” (Is 53.3), e o escritor da Epístola aos Hebreus enfatiza que “não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado” (Hb 4.15); logo, “naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados” (Hb 2.18). Neste livro, o leitor encontrará a conclusão de Spurgeon de que a “simpatia” de Cristo com os nossos sofrimentos inclui o sofrimento mental. A pessoa que sofre de depressão pode, então, encontrar em Cristo um bom amigo para a sua aflição, pois Cristo sabe o que é este padecer.

[SANTOS, Gilson. Extraído do “Prefácio à Edição em Português”. In: ESWINE, Zack. A Depressão de Spurgeon; Esperança Realista em Meio à Angústia. São José dos Campos (SP): Editora Fiel, 2015, pp. 15-22].

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