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Imitação: Forma e Conteúdo – Eugen Bleuler

Two Dancers (Duas Bailarinas), ca. 1893–98, Edgar Degas

Two Dancers (Duas Bailarinas), ca. 1893–98, Edgar Degas (French Realist/Impressionist Painter and Sculptor, 1834-1917), Pasteland charcoal, with stumping and burnishing, on tracing paper, pieced and laid down on cardboard, 70.5 x 53.6 cm, The Art Institute of Chicago, Chicago, USA. Large size here.

O vaidoso vai se fazer notar em suas roupas e em todos os seus gestos, o orgulhoso de sua força física no andar e em todos os seus movimentos. Todavia, não apenas aqueles que são alguma coisa chamam a nossa atenção, mas ainda mais aqueles que querem ser o que não são. Na pessoa que é realmente distinta, o porte distinto, a distinção, mostra-se por si mesma em todo movimento. Ela é uma parte de seu ser, por isso não chama a atenção. Mas na pessoa que afeta a distinção observa-se a oposição entre a natureza e a afetação. Os mesmos movimentos são, em um, algo que lhe pertence, no outro, algo de estranho a ele. Quem imita a forma sem compreender o conteúdo não consegue, justamente, adequar a forma ao conteúdo. Ele dará, por exemplo, um peso indevido a coisas secundárias que chamam a atenção. A pessoa que possui uma cultura espiritual natural manifesta a maior independência de seus dedos uns dos outros em todos os movimentos da mão. A pessoa que gostaria de mostrar mais cultura do que têm vê apenas como o dedinho é levantado, e faz isso de maneira exagerada em toda oportunidade, boa ou má, etc.

(BLEULER, Paul Eugen, 1857—1939, psiquiatra suíço, em sua magnum opus Dementia Praecox Ou Grupo das Esquizofrenias, publicada em 1911. Cf. BLEULER, Eugen. Dementia praecox oder Gruppe der Schizophrenien. Leipzig e Viena: Franz Deuticke, 1911, pp. 366-367. Confira original aqui. A obra foi publicada em Língua Portuguesa em 2005, em Lisboa, Portugal. Valho-me aqui da tradução por Guido A. de Almeida da citação feita em BINSWANGER, Ludwig. Três Formas da Existência Malograda; Extravagância; Excentricidade; Amaneiramento. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1977, p. 115. Itálicos meus para a frase vertida do original alemão: “wer die Form nachahmt, ohne den Inhalt zu verstehen, kann eben die Form nicht dem Inhalt anpassen”.)

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