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15 de novembro: a solução militarista – Emília Viotti da Costa

15 de novembro de 1889 - Proclamação da República, 1893, Benedito Calixto

15 de novembro de 1889 – Proclamação da República, 1893, Benedito Calixto (1853-1927), óleo sobre tela,123.5 × 198.5 cm (48.62 × 78.15 in), Pinacoteca de São Paulo, Brasil

A solução militarista, que sempre se impõe nos países em que a massa não se acha suficientemente consciente da sua força revolucionária e dos objetivos a serem alcançados, surgiu em 1887, quando a chefia do partido começou a cogitar seriamente das possibilidades de recorrer ao exército para derrubar o regime e instalar a República.

[…] A Questão Militar era habilmente explorada pelos republicanos que não se cansavam de acirrar o ânimo dos militares contra o governo, assegurando-lhes ao mesmo tempo todo o apoio. […] O rumo tomado pela Questão Militar e a impaciência de alguns líderes republicanos provocaram novos encontros entre os dois setores descontentes e desse contato surgiria o golpe de 15 de novembro.

Na História da República não há apenas uma Questão Militar. Há várias questões militares que se iniciam nos fins do Império e prosseguem em nossos dias, manifestando-se, durante todo esse longo período, através de uma série de crises com profunda repercussão no plano institucional, entre as quais a proclamação da República.

[…] Generealizara-se entre os militares a convicção de que só os homens de farda eram “puros” e “patriotas”, ao passo que os civis, “os casacas”, como diziam, eram corruptos, venais e sem nenhum sentimento patriótico. Derivava dessa crença a mentalidade salvadora que transparecia claramente na célebre carta […], enviada por Floriano Peixoto ao General Neiva, em 10 de julho de 1887, a propósito da questão militar.

Os militares sentiam-se frustrados, mal recompensados, desprestigiados pelo governo. Tudo favorecia a atitude de indisciplina e revolta […].

Num país em que ainda eram escassas as oportunidades, o exército representava para as classes médias um meio de ascensão. O exército seria, sob certo aspecto, o representante das classes médias, mas envolvendo-se em questões políticas e sociais os militares não abandonavam nunca o espírito de corpo que é a base da organização militar. Por isso, conflitos que entre civis seriam de somenos pareciam, quando envolviam um civil e um militar, uma ameaça grave à segurança do país.

Os pronunciamos militares não repercutiam como manifestos comuns. Levavam sempre a marca do exército. A participação dos militares na vida pública multiplicava as ocasiões de conflitos. Com isso a situação se agravava.

Não se pense que o exército agia coeso e unânime. Havia certamente entre os militares profundas divergências, mas a adesão de uma facção de oficiais, mais ou menos importantes, às ideias republicanas foi decisiva para a proclamação da República.

Quando os civis procuraram os oficiais para tramar a conspiração e preparar o golpe, encontraram da parte deles a melhor acolhida, ligados que estavam uns e outros pelo mesmo imperativo: alterar as instituições vigentes.

O exército já manifestara apoio à causa abolicionista recusando-se a perseguir escravos fugidos. Restava proclamar a República. O clube militar foi, a partir de então, o principal núcleo de conspiração. A República nasceu assim sob o signo do exército.

(COSTA, Emília Viotti. In: Da Monarquia à República: momentos decisivos. São Paulo: Editora Brasiliense, 1987, pp. 354-357)

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