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O Carvalho e o Junco – Jean de La Fontaine

Conversando certo dia disse o carvalho ao junco:
“Você tem bons motivos para reclamar da natureza.
Até um passarinho é um fardo pesado para você.”

Fábula: O Carvalho e o Junco, La Fotaine“Um ventinho à toa que faça
A superfície da água enrugar,
Obriga você a cabeça baixar.
Por outro lado, minha fronte,
Não contente em segurar os raios do sol,
Enfrenta bravamente a tempestade.
Para você tudo é vento violento,
Para mim, brisa suave.
Se você nascesse abrigado pela folhagem
Com que eu cubro a vizinhança,
Não iria sofrer tanto: Eu defenderia você da chuva.”

“Mas vocês costumam nascer
Nas bordas úmidas do reino do vento.
A natureza, apesar de tudo,
Com você parece injusta.”

– “Sua compaixão”, respondeu o arbusto,
“É sincera, eu sei, mas não se inquiete:
Para mim, os ventos não são tão terríveis:
Eu me curvo e não me quebro.
Você tem esse corpo grande
E resiste sem entortar,
Mas espera o fim chegar.”

Enquanto diziam essas palavras,
Lá no horizonte furiosamente surgiu
A mais terrível das tempestades
Que os ventos do norte podiam trazer.
A árvore tentou resistir, o junco se curvou.
O vento redobrou seus esforços.
E tanto fez que destruiu
Aquele que tinha o céu como vizinho de cima
E as raízes no andar de baixo.

(“O Carvalho e o Junco”. Fábula de Jean de La Fontaine, 1621-1695, poeta e fabulista francês. In: As Mais Belas Fábulas de La Fontaine; Ilustrações de Gauthier Dosimont. São Paulo: Impala, 1998, pp. 16-21. Impresso na Itália. Citado aqui no Dia das Crianças 2012.)

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