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A Emergência do Senso de Identidade na Primeira Infância – Papalia, Olds & Feldman

Mother and Child, detail, c. 1905, Mary Stevenson Cassatt

Mother and Child, detail, c. 1905, Mary Stevenson Cassatt (American Impressionist Painter, 1844-1926), Oil on canvas, 92.1 x 73.7 cm (36 1/4 x 29 in.), Chester Dale Collection, The National Gallery of Art, Washington, DC, USA

O autoconceito é a imagem que temos de nós mesmos – o quadro total de nossas capacidades e traços. Descreve o que sabemos e sentimos sobre nós mesmos e orienta nossas ações (Harter, 1996, p. 2007). A criança incorpora em sua auto-imagem o quadro que os outros refletem de volta para ela.

Quando e como se desenvolve o autoconceito? De uma miscelânea de experiências aparentemente isoladas (como um episódio de amamentação para outro), o bebê começa a extrair padrões regulares que formam conceitos rudimentares de si mesmo e do outro. Dependendo do tipo de cuidado recebido pelo bebê e de como ele responde, emoções agradáveis ou desagradáveis são associadas a experiências sensório-motoras (como sugar) que desempenham um papel importante na crescente organização da identidade.

Entre quatro e dez meses, quando os bebês aprendem a esticar os braços, agarrar e fazer as coisas acontecer, eles passam a ter a experiência da atuação pessoal, a percepção de que podem controlar eventos externos. Essa experiência é precursora daquilo que Bandura (1994) chama de auto-eficácia, a sensação de ser capaz de superar desafios e atingir metas. É aproximadamente nessa época que o bebê desenvolve a autocoerência, a noção de ser uma totalidade física com limites dentro dos quais reside a atuação. Esses desenvolvimentos ocorrem, na interação com cuidadores, em brincadeiras como a de esconder, em que o bebê torna-se cada vez mais consciente da diferença entre ele e o outro (“Eu vejo você!”).

A emergência da autoconsciência – conhecimento consciente de si como um ser distinto e identificável – apóia-se nesse despertar da discriminação perceptual entre si e os outros. Em um experimento com 96 bebês entre quatro e nove meses, eles mostraram mais interesse em imagens do outro do que de si próprios (Rochat & Striano, 2002). Essa discriminação perceptual pode ser o fundamento da autoconsciência conceitual que se desenvolve entre 15 e 18 meses. Em uma linha de pesquisa clássica, investigadores aplicaram rouge no nariz de crianças entre seis e 24 meses e as colocaram diante de um espelho. Três quartos dessas crianças tocaram o próprio nariz, agora vermelho, com mais frequência do que antes, ao passo que bebês com menos de 15 meses não o fizeram. Esse comportamento sugere que essas crianças sabiam que normalmente seu nariz não é vermelho, e reconheceram a imagem no espelho como sendo de si próprias (Lewis, 1997; Lewis & Brooks, 1974). Uma vez que possa reconhecer a si mesma, a criança prefere olhar para sua própria imagem no vídeo em vez da imagem de outra criança da mesma idade (Nielsen, Dissanayake & Kasahima, 2003).

Entre 20 e 24 meses, crianças pequenas começam a usar pronomes da primeira pessoa, outro sinal de autoconsciência (Lewis, 1997). Entre dezenove e 30 meses, elas começam a aplicar a si mesmas termos descritivos (“grande” ou “pequeno”; “cabelo liso” ou “cabelo encaracolado”) e valorizam (“bom”, “bonita” ou “forte”). O rápido desenvolvimento da linguagem permite à criança pensar e falar sobre si própria e a incorporar descrições verbais dos pais (“Você é tão inteligente!”, “Que menino grande!”) à sua própria auto-imagem emergente (Stipek, Gralinski & Kopp, 1990).

(PAPALIA, Diane E., OLDS, Sally Wendkos & FELDMAN, Ruth Duskin. Desenvolvimento Humano. Décima Edição. São Paulo: McGraw-Hill, 2009, pp. 213-14. Confira outras pinturas de Mary Cassatt no mesmo tema do detalhe de sua obra acima. Ela dedicou-se amplamente a retratar mães e filhos nas telas.)

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