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A Independência e os Interesses Regionais – Celso Furtado

Observados esses acontecimentos de uma perspectiva ampla torna-se mais ou menos evidente que os privilégios concedidos à Inglaterra constituíram uma consequência natural da forma como se processou a independência, sem maiores desgastes de recursos, mas devendo a antiga colônia assumir a responsabilidade de parte do passivo que contraíra Portugal para sobreviver como potência colonial. Se a independência houvesse resultado de uma luta prolongada, dificilmente ter-se-ia preservado a unidade territorial, pois nenhuma das regiões do país dispunha de suficiente ascendência sobre as demais para impor a unidade. Os interesses regionais constituíam uma realidade muito mais palpável que a unidade nacional, a qual só começou realmente a existir quando se transferiu para o Rio o governo português. […] Difícil impor uma ideia que não encontra correspondência na realidade dos interesses dominantes.

(FURTADO, Celso. Formação Econômica do Brasil. 24a. Ed. São Paulo: Editora Nacional, 1991, p. 94)

Um Funcionário a Passeio com sua família, 1837/39, Jean Baptiste Debret

Um Funcionário a Passeio com sua família, 1837/39, Jean Baptiste Debret (French painter and lithographer, 1768-1848), Lithograph on paper, 34.2 × 21.7 cm (13.5 × 8.5 in). Coleção Brasiliana, Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo. É a prancha número 5 do tomo 2 da obra de Debret “Voyage Pittoresque et Historique au Brésil”, Ed. Firmine Didot et Frères, Paris, 1834-1839.

A cena aqui desenhada representa a partida, para o passeio, de uma família de fortuna média, cujo chefe é funcionário. Segundo o antigo hábito observado nessa classe, o chefe de família abre a marcha, seguido, imediatamente, por seus filhos, colocados em fila por ordem de idade, indo o mais moço sempre na frente; vem a seguir a mãe ainda grávida; atrás dela sua criada de quarto, escrava mulata, muito mais apreciada no serviço do que as negras; seguem-se a ama negra, a escrava da ama, o criado negro do senhor, um jovem escravo em fase de aprendizado, o novo negro recém-comprado, escravo de todos os outro (…). O cozinheiro é o guarda da casa. (DEBRET, 1978, p.182)

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