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“É bom ser simples, mas não relaxados” – Sêneca

Outro gênero de inqueitação, nada desprezível, é aquele que procede da preocupação de aparentar o que não somos, como muitos que fazem da própria vida hipocrisia e teatro. É-nos um tormento a autocrítica, e a descoberta do que realmente somos causa-nos pavor. E nunca nos liberamos dessa preocupação, sempre achando que nos julgam tal qual nos veem. Pois acontecem muitas coisas que, contra vontade, nos descobrem. Enquanto não nos resolvermos a nos reconhecer sem ilusões, como poderemos viver com alegria e tranquilidade debaixo daquela máscara? 2. Que enlevo produz, pelo contrário, a simplicidade sincera e sem adornos, que não tenta encobrir seus hábitos! Não está isenta de inconveniente esta maneira de agir, se tudo é descoberto a todos; pois não falta nunca quem despreze o que pode facilmente alcançar. Não faz mal que seja desprezada a virtude pelo fato de ser a todos descoberta, pois é melhor ser desprezado pela simplicidade do que torturado pela constante hipocrisia. Sejamos, entretanto, moderados: é bom ser simples, mas não relaxados.

(Sêneca, 4 a.C.-65 d.C.. In: Da Tranquilidade do Espírito, XVII. Citado por Alexandre Caballero. A Filosofia através dos Textos. 3a. ed. São Paulo: Cultrix, 1985, p. 66)

Seneca and Nero, Eduardo Barrón

Seneca and Nero, Eduardo Barrón (Escultor Español, 1858-1911), Córdoba, Spain. A facsimile in bronze, Madrid, 2006. Collection of the Museo del Prado.

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