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O poder tem limite! – Diderot

O poder que vem do consentimento dos povos supõe necessariamente condições que tornem seu uso legítimo, útil à sociedade, vantajoso para a República, e que o fixem e restrinjam dentro de certos limites. Denis Diderot (1713-1784)Pois o homem não pode nem deve dar-se inteiramente e sem reserva a um outro homem, já que tem um mestre superior que está acima de tudo, a quem pertence inteira e exclusivamente. Trata-se de Deus, cujo poder sobre a criatura é sempre imediato, senhor tão ciumento quanto absoluto, que nunca perde seus direitos e não os comunica de modo algum. Ele permite, para o bem comum e para a manutenção da sociedade, que os homens estabeleçam entre si uma ordem de subordinação e que obedeçam a um deles. Mas quer que isto seja feito por razão e com medida, e não de maneira cega e sem reserva, a fim de que a criatura não se atribua impropriamente direitos do criador. Qualquer outra submissão é um verdadeiro crime de idolatria. Dobrar os joelhos diante de um homem ou uma imagem é apenas uma cerimônia exterior […]. Entregar seu coração, seu espírito e sua conduta sem reserva alguma à vontade ou ao capricho de uma simples criatura, fazer desta o único motivo de suas ações é certamente, e essencialmente, um crime de lesa-majestada divina. Se não fosse assim, este poder de Deus do qual tanto se fala não seria senão um ruído inútil que a política humana utilizaria segundo sua fantasia, e do qual o espírito de irreligião, por sua vez, zombaria.

(DIDEROT, Denis. In:  Verbetes políticos da enciclopédia; Denis Diderot, Jean Le rond d‘Alembert. Trad. Maria das Graças de Souza. São Paulo: Discurso Editorial / Editora UNESP, 2006, pp. 38-39. E-book aqui. Denis Diderot, 1713-1784, foi o filósofo francês que assumiu a direção da Encyclopédie até a sua conclusão. Diderot e d’Alembert  foram os principais componentes do grupo conhecido como os “Enciclopedistas”. A citação acima é extraída de um artigo que Diderot escreveu na Enciclopédia, no qual coloca críticas ao absolutismo e defende um poder derivado do consentimento do povo.)

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