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Um Amanhecer sem Esperança – Frank Bramley

A Hopeless Dawn, 1888, Frank Bramley

A Hopeless Dawn, 1888, Frank Bramley (English Painter, 1857-1915), Oil on canvas 122,6 x 167,6 cm, Tate Britain, London

O título desta pintura foi extraído de uma passagem de John Ruskin (1819-1900) em The Harbours of England (Os Portos da Inglaterra), na qual é feita uma descrição de uma praia com barcos de pesca, e na qual se afirma que Cristo está “ao leme de cada barco solitário, através da noite sem estrelas e da madrugada sem esperança”. Ele, “que deu ao pescador as chaves do reino dos céus”.

A mulher ajoelhada, confortada por sua sogra, cai em desalento diante do desaparecimento de seu marido no mar. Porém, a Bíblia aberta e a pintura na parede apontam para as consolações da fé. A esposa e a mãe do pescador devem ter esperado um dia e uma noite, e agora, com o raiar do sol, não há mais esperança.

À direita, a pintura na parede reproduz um painel de Rafael, em que Cristo entrega as Chaves do Reino a Pedro. A pintura foi deliberadamente colocada ali a fim de oferecer suporte a todo o texto de Ruskin, ainda mais levando-se em consideração que Pedro era um pescador. A Bíblia aberta encontra-se à frente da mãe do pescador desaparecido, e deve ter sido lida durante a longa vigília da noite até o momento da alvorada. A vela colocada no peitoril da janela apaga-se como um farol, e simboliza a morte do pescador em algum lugar no mar revolto. Os vidros da janela estão trincados. A cadeira vazia indica uma ausência que não será resolvida, e em vão estão postos os elementos de chá à mesa. O céu nublado não oferece qualquer sinal de que a tempestade vá diminuir. Os únicos consolos presentes são aqueles que derivam-se da fé, consubstanciados na postura da senhora.

Bramley foi um dos principais membros da Escola Newlyn de pintores. A pintura foi expressivamente concebida em seus efeitos de luz e baixa cor chave, e, neste aspecto, é um dos melhores exemplos da pintura da Newlyn School. Para uma consulta ao original, clique aqui.

Enquanto examinava a pintura, lembrei-me da conhecida canção do compositor baiano:

O mar quando quebra na praia
É bonito, é bonito!

O mar… pescador quando sai
Nunca sabe se volta, nem sabe se fica.
Quanta gente perdeu seus maridos… seus filhos…
Nas ondas do mar!

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