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“É vapor e correr atrás do vento"

Vapor de vapores — diz Coélet — vapor de vapores, tudo é vapor.
Que proveito tira o homem de todo o trabalho com que se afadiga debaixo do sol?
Uma geração passa, outra lhe sucede, enquanto a terra permanece para sempre.
O sol se levanta, o sol se deita, apressando-se a voltar ao seu lugar para novamente tornar a nascer.
O ventro sopra em direção ao sul, gira para o norte: girando, girando vai o vento em suas voltas.
Todos os rios correm para o mar e, contudo, o mar não transborda:
embora chegados ao fim de seu percurso, os rios voltam a correr.
Toda palavra é enfadonha e ninguém é capaz de explicá-la.
A vista não se sacia de ver, nem o ouvido se farta de ouvir.
 
O que foi, será, o que sucedeu, sucederá:
nada há novo debaixo do sol!
Mesmo que se afirmasse: “Olha, isto é novo!”,
eis que já sucedeu em outros tempos muito antes de nós.
Não há memória dos antepassados, e também aqueles que lhes sucederão não serão lembrados por seus pósteros.
 
Eu, Coélet… dediquei-me a investigar e a explorar com Sabedoria tudo o que se faz debaixo do sol.
É uma tarefa ingrata que Deus deu aos homens para dela se desincumbirem.
Examinei todas as ações que se fazem debaixo do sol:
na verdade, não passam de vapor e correr atrás do vento!
(…)
Muita sabedoria, muito desgosto; aumentando o saber, aumenta-se o sofrer.
 
(Citação bíblica: Eclesiastes 1.2-14,18, tradução da Bíblia de Jerusalém. Substituída a palavra abstrata “vaidade” pela palavra concreta “vapor”)
Allegory of Vanity, Trophime Bigot

Allegory of Vanity, Trophime Bigot (French Baroque Era Painter, 1579-1650), oil canvas, 18 x 24”, Galleria di Palazzo Barberini, Rome

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