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A Uma Tormenta – Gregório de Matos Guerra

Na confusão do mais horrendo dia,
Painel da noite, em tempestade brava,
Do fogo e ar o ser se embaraçava,
Da terra e água o ser se confundia.

Bramava o mar, o vento embravecia,
Em noite o dia, enfim, se equivocava,
E com estrondo horrível se assombrava
A terra, e se abalava, e estremecia.

Desde os altos aos côncavos rochedos,
Desde o centro aos mais altos obeliscos,
Houve temor nas nuvens e penedos;

Pois dava o céu, ameaçando riscos,
Com assombros, com pasmos e com medos
Relâmpagos, trovões, raios, coriscos.

(“A Uma Tormenta”. Gregório de Matos Guerra, 1636-1695, poeta barroco brasileiro. Extraído de Florilégio da Poesia Brasileira, p. 158 — F. A. de Varnhagem. Soneto ligeiramente revisado)

The Storm, c. 1759, Jean-Honoré Fragonard

The Storm, c. 1759, Jean-Honoré Fragonard (French Rococo Era Painter, 1732-1806), Oil on canvas, 28 5/8 x 38 1/8 inches (73 x 97 cm), Musée du Louvre, Paris, France

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