Orai sem cessar – Charles Spurgeon

Orai sem cessar – Charles Spurgeon

As palavras encerram, primeiro, um privilégio; em segundo lugar, um preceito – “Orai sem cessar.”

Nosso Senhor Jesus Cristo, por estas palavras, assegura-vos que podeis orar sem cessar. Não há tempo em que não possais orar. Aqui tendes a permissão para chegar ao trono da graça quando quiserdes, pois o véu do Santo dos Santos foi rasgado de alto a baixo, e o acesso ao propiciatório é-vos garantido. Os reis deste mundo recebem os seus cortesãos em dias marcados, mas o Rei dos reis mantém sempre a Sua audiência aberta.

O monarca cujo palácio ficava em Susã não permitia que alguém se aproximasse dele sem ter sido chamado; mas o Rei dos reis já chamou todos os Seus, e podem vir em todo o tempo. Os que se aproximavam do rei Assuero eram mortos, a menos que o seu ceptro lhes fosse estendido; porém o nosso Rei nunca recolhe o Seu ceptro: ele permanece sempre estendido, e quem quiser vir a Ele pode vir agora, em qualquer momento.

Entre os persas havia alguns poucos nobres com o direito especial de audiência permanente diante do rei. Aquilo que era privilégio de muito poucos e muito grandes é, agora, privilégio de cada filho de Deus: pode entrar à presença do Rei em todo o tempo. A meia-noite não é demasiado tarde para Deus; a madrugada, quando a primeira luz cinzenta surge, não é demasiado cedo; ao meio-dia Ele não está demasiado ocupado; e, ao cair da tarde, não está fatigado com as orações dos Seus filhos.

“Orai sem cessar” é, se bem o leio, um dulcíssimo e precioso alvará concedido ao crente para derramar continuamente o seu coração diante do Senhor. Ouço, por assim dizer, a sua “voz mansa e delicada” a dizer: “Vem ao trono da graça, ó Meu filho, sempre que quiseres; vem ao tesouro da graça sempre que desejares.”

“As felizes portas da graça do Evangelho
Estão abertas noite e dia.”

As portas do templo do amor divino não serão fechadas. Nada pode erguer barreira entre a alma suplicante e o seu Deus. O caminho dos anjos e das orações permanece aberto. Lançai apenas a pomba da oração, e podeis estar certos de que ela regressará com um ramo de oliveira de paz no bico. O Senhor tem sempre consideração pelas súplicas dos Seus servos e está pronto a usar de graça para com eles.

Contudo, é também um mandamento: “Orai sem cessar.” E que significa isto? Encerrará uma grande verdade que não posso transmitir-vos em poucas palavras […]

Nunca abandoneis a oração. Nunca, por motivo algum, deixeis de orar. Não imagineis que deveis orar até serdes salvos e, depois, podeis abandonar. Para aqueles cujos pecados foram perdoados, a oração é tão necessária como para os que ainda gemem sob o peso da culpa. “Orai sem cessar”, porque, para perseverardes na graça, deveis perseverar na oração.

Mesmo que vos torneis experimentados na graça e enriquecidos com grande conhecimento espiritual, não imagineis que podeis restringir a oração por causa dos vossos dons e graças. “Orai sem cessar”, senão a vossa flor murchará e o vosso fruto espiritual nunca amadurecerá. Continuai em oração até ao último momento da vossa vida.

“Enquanto vivos, cristãos orarão;
Só enquanto oram, viverão.”

Assim como respiramos sem cessar, assim também devemos orar sem cessar. Tal como não há grau de saúde, de vigor ou força muscular que torne desnecessária a respiração, assim não há estado de crescimento espiritual ou progresso na graça que nos permita dispensar a oração.

“Oremos! A nossa vida é orar;
Só com o tempo a oração cessará;
No céu, cumprindo a vontade divina,
A vida será louvor e perfeita paz.”

Nunca abandoneis a oração, ainda que Satanás vos sugira ser inútil clamar a Deus. Orai contra ele; “orai sem cessar.” Se, por algum tempo, os céus parecem de bronze e a vossa oração só repercute em trovão sobre a vossa cabeça, continuai a orar; se, mês após mês, a oração parece não ter resposta, ainda assim perseverai em aproximar-vos do Senhor. Não abandoneis, por motivo algum, o trono da graça. Se aquilo que pedistes é bom, e estais certos de que está conforme a vontade de Deus, se a visão tardar, esperai por ela; orai, chorai, suplicai, lutai, agonizai até alcançardes aquilo por que pedis.

Se o coração estiver frio em oração, não suspendais a oração até o coração aquecer; antes, orai até aquecer o coração, pelo auxílio do Espírito Santo, que ajuda as nossas fraquezas. Se o ferro está quente, martelai-o; se está frio, martelai até o aquecer. Nunca cesseis de orar por qualquer argumento ou raciocínio. Se o filósofo vos disser que todos os acontecimentos estão fixados e, portanto, a oração não pode mudar coisa alguma, sendo portanto loucura, mesmo que não possais responder a todos os seus sofismas, continuai, contudo, as vossas súplicas. Nenhum problema difícil acerca da digestão vos impediria de comer, pois o resultado justifica a prática; da mesma forma, nenhuma questão subtil deve levar-nos a abandonar a oração, pois o sucesso certo da oração recomenda-a. Sabeis o que o vosso Deus vos disse; e, se não podeis resolver todos os problemas que os homens levantam, resolvei ser obedientes à vontade divina, e continuai a “orar sem cessar.” Nunca, nunca, nunca renuncieis ao hábito da oração, nem a confiança no seu poder.

(Extraído de: “Orai sem cessar”. Sermão N.º 1039, Pregado na manhã do Dia do Senhor, 10 de Março de 1872, pelo Rev. C. H. Spurgeon, no Tabernáculo Metropolitano, Newington. Passagem bíblica: 1 Tessalonicenses 5.17. Confira original aqui)

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