A origem divina do evangelho garante a sua verdade e autoridade
Gálatas 1.18-24
Você já se perguntou como distinguir entre uma mensagem humana e a verdadeira revelação de Deus? Num mundo saturado de discursos religiosos, filosofias e tradições, essa é uma questão vital. Afinal, se o evangelho que seguimos fosse apenas invenção de homens, não teria poder para salvar, transformar e comunicar a vida eterna.
É nesse ponto que Paulo, ao narrar parte da sua própria história, revela a raiz da sua autoridade apostólica. Ele não conta pormenores por curiosidade biográfica, mas para defender o fundamento do seu ministério apostólico e da própria fé da igreja: o evangelho que anuncia não lhe veio de Jerusalém, nem dos apóstolos, nem de qualquer tradição humana. Foi dado diretamente por Jesus Cristo.
A passagem de Gálatas 1.18-24 mostra que a origem divina do evangelho se manifesta em três dimensões. Primeiro, na autenticidade do chamado de Paulo: apenas três anos depois da sua conversão é que ele foi a Jerusalém, e mesmo assim permaneceu somente quinze dias com Pedro. Não procurou aprender ou depender da autoridade dos apóstolos; o chamado que recebera de Cristo era real e suficiente.
Segundo, na independência da mensagem. Paulo deixa claro que, além de Pedro, só viu Tiago, o irmão do Senhor. E, para reforçar a seriedade do seu testemunho, afirma solenemente que não mente diante de Deus. A sua mensagem não tinha origem em consensos ou tradições humanas, mas na revelação direta de Cristo. Essa independência não significa isolamento, mas sim que o evangelho não está sujeito às modas ou aos imediatos e circunstanciais interesses dos homens.
Terceiro, na legitimidade do seu ministério. Depois de Jerusalém, Paulo foi para a Síria e a Cilícia. As igrejas da Judeia não o conheciam pessoalmente, mas sabiam da sua transformação: “Aquele que antes nos perseguia, agora anuncia a fé que outrora procurava destruir.” A mudança radical da sua vida, de perseguidor a pregador, era a prova viva de que o seu ministério tinha autoridade divina. O resultado foi que as igrejas glorificavam a Deus pela sua vida.
Mas que lições pastorais podemos colher desta narrativa? Como podemos ter certeza de que o evangelho que seguimos não é invenção humana, mas revelação de Deus? A própria perícope responde. Em primeiro lugar, pela autenticidade do chamado de Cristo, que continua a levantar servos para o seu serviço. Em segundo lugar, pela independência da mensagem, que não se ajusta às conveniências da cultura, mas permanece eterna e imutável. Em terceiro lugar, pela transformação de vidas, a evidência mais eloquente de que a mensagem é divina. Em quarto lugar, pelo reconhecimento da obra de Deus na comunidade, que confirma e sela o testemunho. E, finalmente, pela glória que resulta unicamente em Deus, pois um evangelho humano engrandeceria homens, mas o verdadeiro evangelho exalta somente o Senhor.
Uma história pode ilustrar bem esta verdade. No século XIX, um juiz francês céptico decidiu ler o Novo Testamento para encontrar contradições. Em vez disso, encontrou Cristo. Mais tarde, afirmou: “Este livro não pode ser de invenção humana; ele leu-me a mim antes que eu o lesse a ele.” A sua vida mudou completamente. Assim também foi com Paulo, e assim acontece connosco sempre que o evangelho de Cristo nos alcança.
Por isso, o desafio é claro: não busquemos segurança em tradições humanas, mas na revelação de Cristo que nos chegou por meio dos apóstolos; não confiemos na aprovação dos homens, mas na autoridade de Deus; não fiquemos presos às nossas antigas histórias, mas testemunhemos a transformação que só o evangelho pode realizar. A autenticidade do chamado, a independência da mensagem e a legitimidade do ministério de Paulo apontam-nos para uma certeza firme: o evangelho que recebemos é divino, verdadeiro e poderoso. E se é assim, resta-nos glorificar a Deus com toda a nossa vida.
Senhor nosso Deus e Pai,
agradecemos-te pela tua Palavra que hoje nos lembrou que o evangelho não é invenção humana, mas revelação divina. Louvamos-te porque foste Tu quem chamou Paulo, transformaste a sua vida e o fizeste pregador da fé que antes perseguia.Guarda os nossos corações contra a tentação de confiar em tradições humanas ou na aprovação dos homens. Dá-nos segurança na autoridade do teu Filho e na acção do teu Espírito. Que a autenticidade do nosso chamado, a independência da mensagem e a legitimidade do nosso ministério sejam testemunhos fiéis do teu evangelho. Transforma vidas ao nosso redor e que, em tudo, o teu nome seja glorificado.
Oramos em nome de Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador.
Amém.
Transcrição abreviada de Estudo Bíblico em Lectio Continua, ministrado pelo pastor Gilson Santos, na Igreja Batista da Graça em São José dos Campos, São Paulo, em 3 de setembro de 2025. Este texto foi compartilhado a leitores na variante linguística do português europeu. Gilson Santos é ministro batista por quase quarenta anos. É pastor e presidente da Igreja Batista da Graça em São José dos Campos (SP), onde serve desde 1999. Graduado em História, Teologia e Psicologia, com pós-graduações pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Atua como escritor e professor no Brasil e Portugal, e também dirige o Instituto Poimênica. Casado com Nadir e pai de duas filhas.