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Lado a Lado – Dave Furman

FURMAN, Dave. Lado a Lado; Como amar aqueles que estão sofrendo. Tradução Valdir Santos. São José dos Campos (SP): Editora Fiel, 2017FURMAN, Dave. Lado a Lado; Como amar aqueles que estão sofrendo. Tradução Valdir Santos. São José dos Campos (SP): Editora Fiel, 2017, 226p.

Dave Furman é pastor evangélico reformado em Dubai, nos Emirados Árabes, onde vive com sua esposa e quatro filhos. Dave escreve regularmente no site The Gospel Coaltion, e, juntamente com sua esposa, vem ao Brasil nos próximos dias para ministrar na conferência para mulheres do Ministério Fiel.

No livro Lado a Lado; Como amar aqueles que estão sofrendo, Furman identifica na introdução a quem o livro se direciona:

[…] Este não é mais um livro sobre sofrimento, escrito apenas para aquele que sofre. É um livro para todos os que conhecem pessoas que sofrem com dores e perdas e que desejam vê-las firmadas naquele que é a Rocha Eterna (p. 20).

E acrescenta mais à frente:

Todos nós conhecemos pessoas que sofrem dores. Podemos ter uma criança que luta com dificuldades de aprendizagem, um cônjuge que está incapacitado, um amigo combatendo um câncer, um vizinho ou membro da igreja com dores crônicas, um parente idoso que padece de inúmeras enfermidades ou aqueles que perderam entes queridos. (p. 21)

Com este propósito em vista, o autor desenvolve o livro em 9 (nove) capítulos breves e de fácil leitura:

  1. Sofrendo perdas pelo sofrimento de outros
  2. Andando com Deus
  3. Amizade fiel
  4. Seja um portador de esperança
  5. Sirva como Jesus
  6. O poder de Deus na oração
  7. Esperança nas conversas difíceis
  8. O que quer que você faça, não faça essas coisas
  9. A busca graciosa da Igreja aos que sofrem

No capítulo 8 (oito), cujo título foi apresentado na lista acima, Furman sugere que um boa maneira de intitulá-lo seria “Os Dez Mandamentos do que Não Fazer para o Seu Amigo Que Sofre”. Ele traz um alerta importante:

Você pode achar que tem a abordagem correta e o objetivo certo em cuidar de seu amigo que está passando por depressão, ou de sua mãe idosa e doente, ou de um amigo aflito que perdeu o emprego, mas não importa quão sincero você seja se estiver distante do alvo. […] Por mais que sejamos sinceros, ainda podemos estar errados! Precisamos da ajuda de Deus para cuidarmos de nossos amigos que estão angustiados. (p. 161)

Corrigindo a primeira maneira inadequada de ajudar a alguém que sofre, Furman propõe:

Uma abordagem mais adequada seria fazer perguntas e procurar crescer em compreensão da dor do outro, em vez de oferecer soluções para algo que você conhece pouco. Às vezes, a melhor coisa que você pode fazer é dizer: “Desculpe-me, você pode me ajudar a entender melhor o que você está passando?” E então ouvi-lo. (p. 163, itálicos meus).

Ao lidar com a segunda maneira inadequada, acrescenta o autor a certa altura:

Para quem está sofrendo, seja qual for o motivo, aquilo é uma coisa séria. No momento em que se está sofrendo, aquilo não é uma coisa pequena. Se você minimizar a dor de uma pessoa, isso a agravará ainda mais. (pp. 164-5).

O autor desenvolve o capítulo com observações interessantes. Ao referir-se à mentalidade do chamado “Evangelho da Saúde e Prosperidade”, ele escreve: “Se para você, Deus é como uma máquina de venda automática, então ficará desiludido quando sua barra de chocolate não cair depois de depositar suas moedas” (p. 170). Ou ainda quando discorre sobre a frequente tendência de preferirmos a indiferença: “Quando a dor não é nossa, esquecemo-nos rapidamente, mas para o enlutado, essa data nunca cai no esquecimento” (p. 179). Ao recomendar um procedimento sábio no oferecimento de ajuda, o autor salienta: “Se sabemos o quanto é difícil para alguns pedirem ajuda, precisamos oferecer assistência de uma maneira que seja fácil de ser aceita” (p. 180).

Uma última palavra no capítulo é dirigida àqueles que estabelecem como “diagnóstico seguro” que todo sofrimento é direta e imediatamente causado por algum pecado individual. São palavras sábias e de uma prudência muito bem vinda:

[…] A verdade é que você nao tem a mínima ideia do que Deus está fazendo nos bastidores do sofrimento daquela vida. […] Dizer que você sabe que Deus está punindo o seu amigo é ser muito rude, e é também uma outra maneira de tentar “brincar de ser Deus”. […] Você não será diferente dos amigos de Jó se lhe disser que todo aquele sofrimento é resultado de algo pecaminoso que ela fez.

Em vez de tomar o lugar de Deus e condenar alguém sem saber o que realmente está acontecendo, gaste mais tempo procurando entender como essa pessoa está indo espiritualmente. […] Você pode ajudar a pessoa a examinar sua saúde espiritual sem começar com a suposição de que seu pecado lhe causou certas consequências. A decadência neste mundo não é sempre (nem frequentemente) um resultado direto do pecado de um indivíduo. Vivemos em um mundo caído, e haverá morte e sofrimento independentemente da forma como vivemos. (pp. 182-4).

O livro todo é uma boa abordagem para se lidar com o problema do sofrimento, e muito útil para o ministério pessoal, assim como para a ação poimênica em particular. Pode ser de bom recurso àqueles que aconselham. Em todo tempo, Furman apresenta o seu comovente testemunho pessoal, como alguém que sofre de uma doença neurológica que lhe impôs uma deficiência nos braços. É neste contexto que ele celebra a Graça de Deus, ao escrever na conclusão de seu livro: “Tudo depende da graça de Deus. E nenhum de nós ama perfeitamente, exceto Jesus.” E acrescenta: “Neste lado do céu, haverá dor e tristeza, e às vezes seremos úteis e outras vezes seremos prejudiciais. Só Jesus ama perfeitamente aqueles que passam por sofrimentos.” (p. 208).

O Posfácio traz uma interessante carta de sua esposa, Gloria Furman, que conclui a mesma observando que “nenhum de nós merece a graça de elevar as nossas vistas para coisas que são invisíveis” (p. 220). Um último apêndice é dedicado a Recomendações de Leitura como conteúdo adicional a cada capítulo.

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