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Aprenda a ouvir em profundidade

Before the Confession at the Entrance to a Village Church (Перед исповедью на паперти сельской церкви), 1888, Vasily Vereshchagin

Before the Confession at the Entrance to a Village Church (Перед исповедью на паперти сельской церкви), 1888, Vasily Vereshchagin (Russian Painter, 1842-1904), oil on canvas, 29 x 40 cm, The State Russian Museum, St. Petersburg, Russia.

Por vezes, não há nada que uma pessoa solitária precise tanto como alguém que esteja disposto a escutar, emprestar um pouco de seu tempo e atenção. Nesses casos, é possível ajudar realmente alguém sem pronunciar uma palavra.

Mas o ouvir com atenção não é importante apenas para os doentes e solitários; é importante em todos os nossos contatos com irmãos na fé. Quanto melhor compreendermos nosso irmão em Cristo, mais o amamos e mais suprimos as suas necessidades. Mas para entender alguém, precisamos ouvir.

(HOEKEMA, Anthony A. O Cristão toma consciência do seu valor. Tradução Glauber Meyer Pinto Ribeiro. São Paulo: Luz para o Caminho, 1987, pp. 144-145

Aprenda a ouvir em profundidade. A arte de prestar atenção envolve estender a mente e o coração e concentrar-se no outro com toda a intensidade e atenção que for possível oferecer.

Ensine seu ego a se controlar. Todos nós somos egocêntricos a maior parte do tempo. Somos uns atores tentando impressionar a plateia, ocupando o centro do palco. Porém, se você quiser prestar realmente atenção em um outro ser humano, precisa ensinar seu ego faminto de atenção a parar de correr atrás dos refletores e deixar que as luzes iluminem uma outra pessoa.

(SMITH, Donald E. The Healing Touch of Attention. New York [USA]: Guideposts Associates, 1969, p. 134. Tradução da citação: Gilson Santos)

O primeiro serviço que um crente deve ao outro na comunidade é ouvi-lo. Como o amor a Deus começa com o ouvir de sua Palavra, assim também o amor ao irmão começa com aprender a escutá-lo. É prova do amor de Deus para conosco que não apenas nos dá sua Palavra, mas também nos empresta o ouvido. Portanto, é realizar a obra de Deus no irmão quando aprendemos a ouvi-lo. Os cristãos e de modo especial os pregadores sempre acham que têm que oferecer algo quando se encontram na companhia de outros, como se isso fosse seu último serviço. Esquecem que ouvir pode ser um serviço maior do que falar. São muitos os que procuram um ouvido atento, no entanto, não o encontram entre os cristãos, porque esses falam também quando deveriam ouvir. Quem, todavia, não mais consegue prestar atenção ao irmão, em breve também não mais consegue ouvir a Deus. Estará falando sempre também perante Deus. Aqui está o início da morte espiritual, e no fim resta só o fraseado piedoso, a condescendência clericalesca que se afoga em palavreado piedoso. Quem não sabe ouvir por longo tempo e em paciência, jamais se comunicará de fato com o interlocutor e nunca o entenderá, e por fim nem sequer se dará conta disso. Quem considera seu tempo precioso demais para gastá-lo em ouvir, esse nunca terá tempo nem para Deus nem para o próximo. Terá tempo só para si mesmo, para suas próprias palavras e planos.

A cura de almas entre irmãos distingue-se, em princípio, da pregação pelo seguinte: ao ministério da Palavra associa-se o ministério de escutar. Também existe a maneira de escutar a meio ouvido. A pessoa pensa que já sabe antecipadamente o que o outro tem a dizer. Isso é ouvir impaciente, desatencioso, que despreza o irmão, só à espera de poder tomar a palavra, para assim desembarçar-se do interlocutor. Isso não é cumprimento de nossa missão, e não há dúvida que em semelhante atitude com o irmão se reflete nada mais que nosso relacionamento com Deus. Não admira, pois, que já não tenhamos condições de prestar ao irmão o maior serviço que Deus nos ordenou no campo do ouvir, a saber, ouvir a confissão do irmão, quando já fechamos o ouvido em coisas significativas. O mundo pagão de nossos dias sabe que, muitas vezes, a melhor maneira de ajudar a alguém é escutá-lo com seridade. Em cima desse conhecimento montou uma cura d’almas secular que atrai multidões inclusive cristãos. Esses, porém, esquecem que lhes foi ordenado o ministério de ouvir por aquele que é ele próprio o maior ouvinte e em cuja obra devem ter parte. Haveremos que ouvir com os ouvidos de Deus, para que possamos falar também com sua Palavra.

(BONHOEFFER, Dietrich. Vida em Comunhão. Tradução Ilson Kayser. São Leopoldo [RS]: Editora Sinodal, 1982, pp. 49-50)

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