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A Leitura Proibida – Karel Ooms

Forbidden literature (De verboden Lectuur / La Lecture Prohibée), 1876, Karel Ooms

Forbidden literature (De verboden Lectuur / La Lecture Prohibée), 1876, Karel Ooms (Flemish Academic Painter, 1845-1900), Oil on canvas,  136 x 108 cm, Royal Museum of Fine Arts, Brussels, Belgium. Large size here.

“A Leitura Proibida”, óleo sobre tela pintado por Karel Ooms em 1876, retrata um homem belga estudando a Bíblia com sua filha (ou neta) em um tempo de perseguição religiosa católico-romana. Como protestantes belgas, estão quebrando a lei por se atreverem a assumirem as implicações práticas do princípio reformado de Sola Scriptura, que estabelece o papel das Escrituras Sagradas como regra de fé, de conduta e de culto. A obra retrata o exato momento em que eles ouvem alguém batendo à porta. Estão arriscando tudo por causa de sua devoção clandestina e por seu exame pessoal da Bíblia. Isto era contrário às diretrizes emanadas do monarca nos editais da época. Os acusados tinham os seus bens confiscados e eram sentenciados à morte.

Observe o olhar e a atitude do ancião e da moça, sobressaltados, assustados, expectantes. O movimento da moça mostra a intenção de fechar rapidamente o grosso livro. As expressões faciais são centrais no tema escolhido, e receberam o maior cuidado do artista, inclusive no tratamento de cor. A ênfase na situação dramática só pode ser percebida a partir delas. Embora diferentes, ambas as expressões são tocantes. O momento é nitidamente marcado por medo e ansiedade.

DETAIL: Forbidden literature (De verboden Lectuur / La Lecture Prohibée), 1876, Karel Ooms

Karel Ooms (1845-1900) foi um pintor flamengo. Estudou na Academia de Arte de Antuérpia, onde se formou laureado em 1865. Assim como seu amigo Hendrick Leys (1815-1869), Ooms devotou-se a temas históricos e foi alguém fascinado pelo século dezesseis, que marcou um período glorioso e desastroso para a sua região. Do século dezesseis ao dezoito, os belgas estiveram sob domínio espanhol (e também austríaco), tendo conquistado sua independência no início do século dezenove, integrados aos Países Baixos pelo Congresso de Viena. À época, o Catolicismo foi, talvez, o principal fator que motivou a união de Flandres e Valônia num único país.

“A Leitura Proibida” é considerada a obra-prima de Ooms, tendo sido amplamente reproduzida, tornando-se muito popular. A tela foi imediatamente adquirida pelo governo. Em 1885 Ooms fez uma versão reduzida de “A Leitura Proibida” (painel, 61 x 46 cm, 1885, coleção particular), que foi leiloada durante a venda pública das obras de arte da viúva Ooms em maio 1922, e novamente leiloada em outubro de 1999.

Muita gente tem se identificado com o tema pintado por Ooms. Quer em regimes de totalitarismos políticos e religiosos, seja em modernos regimes de intolerância “secular” ou “laica”, e até mesmo em culturas que reivindicam o “livre pensamento” e que pugnam pelo “politicamente correto”, o grosso livro conserva a condição de leitura incômoda. Numa histórica trajetória milenar, e atualmente em diversos lugares, à porta de seus leitores alguém bate ameaçadoramente. Definitivamente, um livro que desperta os mais inflamados sentimentos e intensas e contrárias reações. Talvez como nenhum outro.

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