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Presente, Passado e Futuro – Santo Agostinho

The Old Clock on the Stairs, 1868, Edward Lamson Henry

The Old Clock on the Stairs, 1868, Edward Lamson Henry (American Painter, 1841-1919), oil on canvas, 20,75 x 16.,25 cm, private collection

Mas como é que diminui e se consome o futuro que ainda não existe? Ou ainda: como é que cresce o passado, que já não existe, a não ser pela existência dos três momentos no espírito que os realiza: expectativa, atenção e lembrança? Desse modo, aquilo que a alma espera torna-se lembrança depois de ser objeto da atenção. Quem se atreve a negar que o futuro ainda não existe? No entanto, já existe no espírito a expectativa do futuro. Quem pode negar que o passado não mais existe? Contudo, existe ainda no espírito a lembrança do passado. E quem nega que o presente carece de extensão, uma vez que passa em um instante? No entanto, perdura a atenção, diante da qual continua a retirar-se o que era presente. Portanto, não é o tempo futuro que é longo, pois não existe, mas o longo futuro é a longa espera do futuro. Também não é longo o tempo passado inexistente, mas o longo passado é a longa recordação do passado.

(Santo Agostinho. In: Confissões. São Paulo: Paulus, 1984, p. 354-55)

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