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“Um Só Artífice Supremo” – Voltaire

Grande parte da humanidade, ao ver o mal físico e o mal moral disseminados por este globo, imaginou dois seres poderosos, um dos quais produzia todo o bem e o outro todo o mal. Voltaire (1694-1778)Se existissem, seriam necessários; seriam eternos, independentes e ocupariam todo o espaço; existiriam, portanto, os dois no mesmo lugar; penetrar-se-iam, por conseguinte, mutuamente. Isto é absurdo. A ideia destas duas potências inimigas só pode derivar de exemplos terrenos, pois conhecemos homens doces e ferozes, animais úteis e animais perniciosos, bons chefes e tiranos. Deste modo imaginaram dois poderes contrários que presidem à natureza. Isto, porém, não passa de um conto asiático. Em toda a natureza há uma manifesta unidade de propósito; as leis do movimento e da gravidade são invariáveis; é impossível que dois artífices supremos, totalmente contrários um ao outro, hajam seguido as mesmas leis. Em minha opinião, isto basta para jogar por terra o sistema maniqueísta, e não são necessários grossos volumes para combatê-lo.

Há, portanto, uma potência única, eterna, a qual tudo está ligado, da qual tudo depende, porém cuja natureza é incompreensível para mim.[…]

(Voltaire [François Marie Arouet, 1694-1778]. In: El Filósofo Ignorante. Prólogo de Fernando Savater. Traducción de Mauro Armiño. Madrid: Fórcola Ediciones, 2010, pp. 44-45. E-book aqui. Tradução minha para o português.)

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