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A Partida de Xadrez – Sofonisba Anguissola

“Quando a derrota é inevitável, o mais sábio é ceder”.
(Atribuído a Quintiliano. Marcus Fabius Quintilianus, 30 a 95 d.C., escritor e retórico latino)

The Chess Game, 1555, Sofonisba Anguissola

The Chess Game, 1555, Sofonisba Anguissola (Italian Mannerist Painter, 1532-1625), Oil on canvas, 72 × 97 cm (28.3 × 38.2 in), Muzeum Narodowe (National Museum), Poznán, Poland

Sofonisba Anguissola foi uma pintora renascentista/maneirista italiana, discípula de Bernardino Campi. Foi a primeira artista a adquirir fama internacional de que se tem notícia. Foi admirada por Michelângelo e Anthony van Dyck, entre outros. Filipe II de Espanha convidou-a para ser pintora oficial em sua corte, enriquecendo assim o Renascimento Espanhol. Notabilizou-se pela extensa série de autorretratos que produziu. Sofonisba, nascida entre 1532 e 1538 (data mais aceita hoje), era a mais velha dentre sete irmãos, sendo seis mulheres. A família Anguissola pertencia à pequena aristocracia cremonense, mas com formação suficiente para que os pais se preocupassem em oferecer-lhes uma educação completa, que passasse pelas artes, pelo ensino do latim, letras e instrumentos musicais.

Um dos quadros mais famosos de Sofonisba Anguissola, e um dos mais interessantes do ponto de vista temático, é A Partida de Xadrez, no qual ela retrata em grupo três de suas irmãs. A partida se situa em um jardim com abertura ao fundo para um rio, uma montanha e, na estreita faixa superior, o céu. As três irmãs de Sofonisba são provavelmente, pela data do quadro e as idades das retratadas, Elena à esquerda, Minerva ao centro e Lucia à direita. Elas estão situadas no primeiro plano, muito próximas do observador, ou da própria pintora, sua irmã e, portanto, figura íntima que podia participar deste momento de lazer representado.

A temática deste retrato de grupo é curiosa, pois representa um momento de intimidade e lazer das irmãs, ao mesmo tempo em que revela o ambiente intelectual em que elas viviam. Ao representar um jogo de xadrez — que nessa época se restringia aos ambientes de corte e aristocracia e, em larga medida, ao sexo masculino — Sofonisba também demonstra que ela e suas irmãs dominavam esse jogo. A mais velha, à esquerda, está movimentando uma peça quando para para olhar o observador — ou podemos relembrar, aquela que a retrata — com um leve sorriso, característico de outras obras de Sofonisba, e confiante em sua jogada. A figura da direita, representada em pleno perfil, ergue o braço e toma a palavra (ela está de boca aberta) para comentar algum aspecto da jogada. A pequena Minerva que assiste a ambas se diverte, já tomando consciência da discussão sobre este jogo, que era considerado por Castiglione como um divertimento “prazeroso e engenhoso”. Toda a ação é observada pela serva, que também ri, mas não do jogo e sim do divertimento da pequena. Sofonisba não deixa de estar atenta às vestes das irmãs, às quais representa com atenção aos detalhes, texturas e brilhos, denunciando mais uma vez o status social da família. Os traços dos rostos são muito parecidos, mas ao mesmo tempo particularizados nos diferentes formatos dos olhos e nos tons e brilhos da pele. Por todas essas razões esse quadro tem sido admirado desde Giorgio Vasari e foi considerado por estudiosos como Bernard Berenson como um dos primeiros “quadros de conversação”. Sobre esta tela Vasari escreve que as figuras “parecem verdadeiramente vivas e que não lhes falta outra coisa, senão a palavra”.

(Isabel Hargrave. In: Sofonisba Anguissola [1532/38-1625]: uma pintora italiana no Renascimento espanhol. VI EHA – Encontro de História da Arte – UNICAMP, Campinas [SP], 2010, online aqui)

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