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“Agora a Inês é Morta!” – Tragédia à portuguesa

Eu podia chamar-te pátria minha
dar-te o mais lindo nome português
podia dar-te um nome de rainha
que este amor é de Pedro por Inês.

(“Uma flor de verde pinho”. Interpretação: Carlos do Carmo. Música: José Niza. Letra: Manuel Alegre)

A Súplica de Inês de Castro, 1802, Vieira Portuense

A Súplica de Inês de Castro, 1802, Vieira Portuense (Pintor português, 1765-1805), óleo sobre tela, 196 x 150 cm, Museu de Arte Antiga, Lisboa, Portugal. Mais informações sobre a tela aqui.

O “Episódio de Inês de Castro” é um dos momentos mais marcantes nos Lusíadas de Luís Camões. Quando estive na Igreja e Mosteiro de Alcobaça, em Portugal, visitei os túmulos de Pedro e Inês — que lá se encontram frente a frente. Inês de Castro (c. 1320-1355), uma nobre galega, foi amada pelo futuro rei D. Pedro I de Portugal (1320-1367), de quem teve quatro filhos. Foi executada às ordens do pai deste, Afonso IV. Pedro foi o oitavo Rei de Portugal, e mereceu o cognome de O-Até-ao-Fim-do-Mundo-Apaixonado, pela afeição que dedicou a Inês.

Os versos dos cantos de Camões, nessas páginas amarelas e empoeiradas que tenho aqui diante de mim, descrevem, de início, Inês “linda, posta em sossego”, de seus anos “colhendo o doce fruto, naquele engano da alma, ledo e cego”. Celebrado o amor nos versos, segue-se um canto triste, quando trata do macabro projeto de Afonso:

Tirar Inês ao mundo determina,
Por lhe tirar o filho, que tem preso,
Crendo c’o sangue só da morte indina
Matar do firme amor o fogo aceso.
Que furor consentiu que a espada fina,
Que pôde sustentar o grande peso
Do furor mauro, fosse alevantada
Contra uma fraca dama delicada?

No momento do sacrifício, Camões canta, depois de falar dos algozes de Inês:
 

Bem puderas, ó sol, da vista destes
Teus raios apartar aquele dia,
Como da seva mesa de Tiestes,
Quando os filhos por mão de Atreu comia!
Vós, ó côncavos vales, pudestes
A voz extrema ouvir da boca fria,
O nome do seu Pedro, que lhe ouvistes,
Por muito grande espaço repetistes!

Mas a fonte junto ao rio Mondego é um memorial à tragédia:
 

As filhas do Mondego a morte escura
Longo tempo chorando memoraram:
E, por memória eterna, em fonte pura,
As lágrimas choradas transformaram:
O nome lhe puseram, que inda dura,
Dos amores de Inês, que ali passaram.
Vede que fresca fonte rega as flores,
Que lágrimas são a água, e o nome amores!

Você encontrará na internet muitas fotos dos túmulos de Pedro e Inês em Alcobaça, assim como narrativas bem documentadas do episódio, e também várias obras de arte com este tema. No início deste post, “A Súplica de Inês de Castro”, de Vieira Portuense.

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