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Sobre artes com temas bíblicos

(Extraído da apresentação da seção Arte Bíblica)

Old Woman Reading a Lectionary (So-called Portrait of Rembrandt's Mother), c. 1630, Gerrit Dou

Old Woman Reading a Lectionary (So-called Portrait of Rembrandt’s Mother), c. 1630, Gerrit Dou (Dutch Baroque Era Painter, 1613-1675), formerly attributed to Rembrandt, oil on panel, 71 cm (28 in) x 55.5 cm (21.9 in), Rijksmuseum Amsterdam, Netherlands.

Toda obra de arte selecionada, além de uma criação, é também uma leitura e como tal reflete o leitor – que neste caso é o próprio artista. Aqui são encontradas obras de artistas de diferentes períodos históricos, de diversas escolas, gêneros e movimentos, e de variadas sensibilidades estéticas. Também há artistas de diferentes contextos, convicções e compromissos religiosos. Alguns fazem uma retratação mais histórica e descritiva, recorrendo a uma representação mais textual do registro bíblico. Neste caso, entretanto, a arte limita-se à ilustração do texto. Há, porém, outros artistas que fazem uma retratação mais contemporânea, utilizando no ateliê modelos e figurinos de sua época e contexto, e expondo o tema segundo o ambiente físico em que se encontram inseridos. Entre outras coisas, alguns buscam com isto oferecer aos admiradores de sua arte uma significação contemporânea e contextual do tema ou assunto bíblico.

Outros artistas alinham-se em tendências de maior liberdade criativa, e geralmente projetam ao tema conteúdos que se distanciam do relato bíblico, e ainda outros, idealistas ou não, reproduzem no trabalho algumas ideias e símbolos religiosos que foram acumulados em tradições da Cristandade, porém sem evidência bíblica ou a despeito dela. Considere-se, neste caso, a importância da obra artística enquanto expressão histórico-cultural, e, em particular, como meio de expressão da sensibilidade estética do artista. Francis Schaeffer (1912-1984) lembra também que um trabalho de arte, além da mensagem (que ele entende ser primordial no juízo que se faz da obra), deve ser avaliado segundo sua excelência técnica e sua validade (por esta se quer dizer a honestidade da obra de arte em expressar o que o artista realmente pensa). Não seria válido para um pintor de alguma escola contemporânea, com sua visão de mundo, expressar-se da mesma maneira que Rembrandt.

Portanto, ao olhar para uma obra de arte que expresse uma mentalidade não cristã, não preciso pegá-la, jogá-la ao chão e dizer que não presta, desta maneira pisando a personalidade do homem que a fez. Nos aspectos técnicos e na validade, como coisas importantes por si só, posso enfrentar o homem abertamente como homem e tratá-lo com base na importância da personalidade. […] Posso tratar com empatia o homem que a produziu e chamar a atenção para sua excelência técnica e integridade.

(SCHAEFFER, Francis. In: O Deus que Intervém; O Evangelho para o Homem de Hoje. São Paulo: Editora Refúgio e ABU Editora, 1981, pp. 247-248)

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