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A Parábola do Homem Rico – Rembrandt

Parable of the Rich Man or “The Money Changer” (Das Gleichnis vom reichen Kornbauern / Der reiche Narr / Der Geldwechsler), 1627,Rembrandt van Rijn (Dutch Baroque Era Painter and Engraver, 1606-1669),  oil on oak  panel, 32 × 42.5 cm (12.6 × 16.7 in.), Staatliche Museen, Gemäldegalerie, Berlin, Germany

Parable of the Rich Man or “The Money Changer” (Das Gleichnis vom reichen Kornbauern / Der reiche Narr / Der Geldwechsler), 1627, Rembrandt van Rijn (Dutch Baroque Era Painter and Engraver, 1606-1669), oil on oak panel, 32 × 42.5 cm (12.6 × 16.7 in.), Staatliche Museen, Gemäldegalerie, Berlin, Germany. Large size here.

O jovem Rembrandt tinha interesse incomum pelos idosos e usava com perspicácia as potencialidades expressivas dessas pessoas, em especial quando meditavam. Nessa linha, são mais conhecidos os retratos de uma determinada velha e de um ancião barbudo, que podem ser vistos em várias obras suas desse período. Trata-se de duas pessoas que muitas vezes são consideradas o pai e a mãe de Rembrandt, embora não exista nenhuma prova documental que corrobore tal afirmação. Durante aqueles anos, outro velho de barbas foi um dos modelos preferidos de Rembrandt e de Jan Lievens, um amigo que também vinha de Leiden. O velho surge como o apóstolo São Paulo em sua escrivaninha, de c. 1629-1630, pintura que impressiona pelo efeito de claro-escuro.

Desde o início, Rembrandt já possuía uma maneira própria de usar o claro-escuro. Nas obras de Caravaggio e dos primeiros caravaggianos, luz e sombra são intensamente contrastadas, com poucas áreas de penumbra; nesses quadros, os limites entre as partes iluminadas e as escurecidas criam contornos muito nítidos e, por consequência, tanto as figuras quanto os objetos independentes sobressaem de maneira escutórica contra um fundo escuro e bastante ilimitado. Na Parábola do Homem Rico, realizada em 1627 e que hoje se encontra em Berlim, o velho rico é mostrado a examinar uma moeda à luz de uma vela; nessa pintura, o jovem Rembrandt enfrenta o problema da luz e da sombra produzidas pela chama de um círio oculto pela mão. Ele deve ter seguido o exemplo de Honthorst – que popularizou esse artifício –, estudando cuidadosamente os reflexos das cores no rosto do homem de óculos e nos outros objetos próximos à vela acesa. Há, entretanto, uma diferença entre essa cena noturna do jovem Rembrandt e quaisquer outras de Honthorst: Rembrandt já superara seu modelo ao unificar luz e atmosfera em todo um interior. O quadro que se encontra em Berlim, tradicionalmente considerado uma cena de gênero com um cambista, mais tarde tornou-se uma alegoria da Avareza, interpretação mais correta, e também foi identificado à narrativa de Jesus sobre o rico tolo, uma parábola que adverte sobre os males da avareza (Lucas 12, 13-21). O homem rico decidiu construir celeiros maiores para guardar uma colheita particularmente boa, no intuito de desfrutar com folga o que armazenara. Mas Deus lhe disse: “Insensato, esta noite te pedirão a alma; e de quem serão as coisas que acumulastre?” A moral é clara: “Assim acontece àquele que dispõe de tesouros para si mesmo e não é rico para com Deus”. A parábola explica por que a cena é noturna e por que o relógio está presente, quase oculto nas sombras à esquerda: nessa noite, chegaria a hora do homem rico.

(Seymour SLIVE, historiador da Arte norte-americano, que serviu como diretor de Harvard Art Museums de 1975 a 1991. In: Pintura Holandesa 1600-1800. Trad. Miguel Lana e Otacílio Nunes. “Período de Leiden: 1625-1631”. São Paulo: Editora Cosac & Naify, 1998, p. 57. Neste livro Seymour Slive faz um panorama histórico e artístico dos séculos XVII e XVIII nos Países Baixos, destacando as obras de Rembrandt, Frans Hals e Vermeer, mestres da escola holandesa de pintura. E-book aqui. A alegoria retratada também é conhecida como “A Parábola do Rico Insensato”.)


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