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A variada esfera do saber e do conhecimento secular – João Calvino

John Calvin's statue, International Monument to the Reformation (Monument international de la Réformation / Internationales Reformationsdenkmal), 1909, “Geneva's Reformation Wall”

John Calvin’s statue, International Monument to the Reformation (Monument international de la Réformation / Internationales Reformationsdenkmal), 1909, “Geneva’s Reformation Wall”. The 100 meters long monument depicting Protestant figures from across Europe. Geneva, Switzerland.

Sempre que nos aproximamos de tais questões em escritos seculares, deixai que a luz admirável que está neles nos ensine que a mente do homem, embora caída e pervertida de sua integridade, ainda é vestida e ornamentada pelos excelentes dons de Deus. Se consideramos o Espírito de Deus como fonte única da verdade, não rejeitaremos essa verdade nem a desprezaremos, onde quer que a encontremos, a não ser que queiramos desonrar o Espírito de Deus. Ao menosprezar os dons do Espírito, estaremos desprezando o próprio Espírito.

O que diremos? Podemos negar que a verdade brilhou sobre os antigos juristas que estabeleceram a ordem e disciplina cívica com tão grande equidade? Diremos que os filósofos eram cegos em suas finas observações e artísticas descrições da natureza? Diremos que estavam desprovidos de entendimento aqueles homens que conceberam a arte da disputa, ensinando-nos a falar razoavelmente? Diremos que estão insanos todos os que desenvolveram a medicina, dedicando seu labor ao nosso benefício? E o que dizer de todas as ciências matemáticas? As consideraremos desvarios de loucos? Não. Não podemos ler os escritos dos antigos sobre tais assuntos sem profunda admiração (…).

Mas poderemos contar qualquer coisa digna de louvor e admiração sem reconhecer ao mesmo tempo que isso procede de Deus? (…) Esses homens aos quais as Escrituras chamam de “homem natural” eram, na verdade, afiados e penetrantes em sua investigação de coisas inferiores. Que nós, de acordo, aprendamos, por exemplo, quantos dons o Senhor deixou para a natureza humana mesmo após ela ter sido destituída de seu verdadeiro bem.

(João Calvino, 1509-1564, teólogo cristão francês, reformador protestante que se estabeleceu em Genebra, Suíça. As Institutas ou Tratado da Religião Cristã. Livro II. 2.15. Tradução revisada.)

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