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Os últimos dias de D. Pedro I

Proclamação da Independência, 1844, François-René Moreaux

Proclamação da Independência, 1844, François-René Moreaux (pintor, fotógrafo e professor francês radicado no Brasil, 1807-1860), Óleo sobre tela, 244 x 383 cm, Museu Imperial, Petrópolis, RJ, Brasil. Alta resolução aqui.

Privado dos conselhos moderadores de D. Leopoldina, que falecera, com a atenção dividida, após a morte de seu pai nesse mesmo ano, entre a situação no Brasil e a sucessão em Portugal, além de desgastado pela independência da Cisplatina (1828), D. Pedro não soube conviver com o funcionamento regular de um sistema parlamentar, preferindo cada vez mais atuar no espaço privado de poder formado pela Corte e ocupado por conselheiros e favoritos predominantemente de origem portuguesa. Acabou suspeito, dessa forma, num ambiente crescentemente hostil a Portugal, de estar tramando a reincorporação do Brasil à antiga metrópole. Como consequência, em 7 de abril de 1831, após recusar as imposições que o povo e o Exército revoltados lhe faziam, preferiu abdicar ao trono, em favor de seu filho, o brasileiro Pedro de Alcântara, de acordo com os direitos que lhe conferia a Carta.

Rejeitado no Brasil como soberano autoritário, absolutista e, sobretudo, português, D. Pedro cruzou novamente o Atlântico para derrotar o irmão absolutista D. Miguel numa campanha repleta de dificuldades e reviravoltas; para restaurar a carta liberal, que ele mesmo havia concedido em 1826; para assinar leis que dariam origem a uma profunda reestruturação política e social no país; para recolocar no trono sua filha, Maria da Glória, aclamada, segundo seu desejo, pelas Cortes como D. Maria II, em 18 de setembro de 1834; e para morrer, no palácio de Queluz, em que nascera, dias depois, em 24 de setembro, considerado como o herói que libertara Portugal da opressão. Física e espiritualmente um homem de dois mundos – europeu e americano, absolutista e liberal –, D. Pedro foi, ao contrário do que ocorreu em Portugal, depreciado pela historiografia brasileira por longo tempo, tendo começado somente na década de 1950, com Otávio Tarqüínio de Souza, até hoje seu principal biógrafo, uma revisão do papel que teve na emancipação política do país e da rica e contraditória personalidade que o distinguiu. Cindido como sempre, até em seus restos mortais, o coração de D. Pedro encontra-se, por sua vontade, enterrado em uma urna na cidade do Porto, em Portugal, cujos habitantes, com dedicação e entusiasmo, acolheram-no, nos longos meses de luta contra D. Miguel, mas, em 1972, superadas as animosidades do passado, os ossos foram trasladados para o Brasil, considerada a sua pátria adotiva e cuja independência proclamara.

Extraído do verbete “D. Pedro I”, por Lúcia Bastos Pereira das Neves. In: VAINFAS, Ronaldo (direção). Dicionário do Brasil Imperial, 1822-1889. Rio de Janeiro: Objetiva, 2002, p. 197. D. Pedro I do Brasil e IV de Portugal (12 de outubro de 1798 — 24 de setembro de 1834) foi o primeiro imperador do Brasil (de 1822 a 1831) e o 28º rei de Portugal (durante sete dias de 1826).

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